Santuário Nossa Senhora da Lapa

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Padroeira

Conta a tradição de nossa Igreja que Maria, a mãe de Jesus, se manifestou, e ainda se manifesta, das mais diversas formas, para levar uma mensagem de amor e esperança a cada um de nós, seus filhos.

E é por isso que tantos títulos lhe são concedidos: Aparecida, Fátima, Lourdes, Nazaré, Abadia, Medalha Milagrosa, do Carmo, de Guadalupe, enfim, cada um desses títulos em homenagem a cada forma de aparição, a cada local em que Ela quis se fazer presente e nos aproximar ainda mais dos ensinamentos de seu Filho Jesus, nosso único Deus e Salvador.

Nós, vazantinos, também tivemos esse privilégio. Essa graça sem igual! Aqui, em nossa terra, Maria se fez presente…

Dentre tantas versões que a história e a tradição popular nos revelaram, foi assim que tudo aconteceu: (…)

Era, aproximadamente, o ano de 1865, no contexto histórico da Guerra do Paraguai, em que se deflagrou o conflito entre a Tríplice Aliança, formada pelo Brasil, Argentina e Uruguai contra o Paraguai. Foi, sem dúvida, o maior conflito armado da história da América do Sul. O Brasil e o Paraguai registraram os maiores prejuízos, afetando, consideravelmente, toda a economia e política dessas duas nações. Sem contar, as milhares de vidas que foram perdidas em combate.

Temendo a convocação para estar em campo de batalha e também fugindo dos ataques sangrentos, muitas pessoas se escondiam em locais desconhecidos, procurando o interior do país, para estar cada vez mais distantes da fronteira e dos grandes centros urbanos. E numa dessas fugas, por coincidência ou por providência divina, as grutas de Vazante serviram de moradia para algumas pessoas.

A gruta serviu de proteção do sereno e das chuvas. A vida tinha que ser “tocada”, como a de qualquer família simples da época. Os homens cultivando a terra e as mulheres se dedicando aos afazeres domésticos.

Num belo dia, ou num santo dia, enquanto os homens (os irmãos Ribeiro da Paixão) estavam a trabalhar nas suas lidas diárias, a mulher (esposa de Manoel Ribeiro da Paixão) ficou “arrumando a cozinha”, após ter servido o almoço. Resolveu, então, ali mesmo, na porta da gruta (Lapa Velha), “tirar um cochilo”.

Acordou com uma forte luz que invadia seus olhos. A mulher levantou-se assustada e ali viu: “UMA MULHER VESTIDA DE BRANCO, CABELOS LONGOS, COM O ROSTO VARADO DE LUZ”. Nada disse. Apenas resplandecia uma forte luz e transmitia paz.

A mulher ficou extasiada! Com os olhos fixos na visão, que apenas lhe sorria, como se lhe dissesse: “Acalme seu coração, fique em paz!”. Era um sinal dos céus de que tempos de paz estavam por vir.

A mulher, assustada por estar ali sozinha, saiu às pressas rumo ao campo, onde os homens estavam trabalhando. Contou-lhes o ocorrido e eles se dirigiram imediatamente até a gruta para entender o que havia acontecido. Chegando lá, nada viram. “A MULHER CHEIA DE LUZ” já não estava mais ali. Apenas o silêncio, o cantar dos pássaros e as pedras da gruta. Mas eles perceberam que, ao fundo, havia uma que lembrava a imagem de uma mulher.

Logo, a notícia se espalhou pelas redondezas. E a gruta deixou de ser um simples esconderijo, ou mesmo servir de moradia, e passou a ser considerada um local sagrado, para onde vinham pessoas das mais diversas localidades, a fim de fazer uma prece à “SANTA DA LAPA”.

Começaram, então, a propagar que muitas graças eram alcançadas por interseção da Santa. Um dos primeiros milagres ocorridos, conforme conta nossa tradição, foi no ano de 1874, ano em que pairou na região uma grande seca. Parecia algo sem solução! Resolveram, por isso, pedir a ajuda da Santa da Gruta.

Mariana Eufrásia de Jesus, esposa de Antônio Valeriano Corrêa, morava na Fazenda Claro. E ela, mulher de fé e muito católica, convidou os familiares, vizinhos e amigos para irem até à gruta e rezarem um terço pedindo a proteção para aquele povo sofrido. E assim que terminaram de rezar o terço, veio imediatamente uma forte chuva.

Naquele momento, diversas pessoas presenciaram um dos primeiros grandes milagres realizados pela interseção da Santa da Lapa. Em agradecimento, Mariana prometeu que, ali, rezaria o terço todos os anos.

O pai de Mariana, José Ferreira da Silva, estabeleceu que esse terço fosse rezado todos os anos, no dia 1° de setembro, data em que se comemoraria o dia de Nossa Senhora da Lapa. No entanto, devido às chuvas que ocorriam nessa época, dificultando a realização da festividade, Antônio Valeriano Corrêa transferiu a data para o dia 03 de maio.

No livro “Vazante, meu bem querer” de autoria de Oliveira Mello, há alguns relatos que não poderiam ser omitidos nesse artigo, a começar com o fato de que não havia mais nenhum rancho nas proximidades da gruta; inclusive, o rancho dos irmãos Ribeiro da Paixão, que foram os primeiros moradores, havia sido destruído pelo tempo. Então, Antônio Valeriano Corrêa, com a ajuda de outros moradores da região, resolveu construir outro rancho nas proximidades daquele local considerado sagrado. Esse rancho serviu de capela para abrigar os devotos nos momentos de oração e nas festividades de 03 de maio. Em 1879, esse rancho recebeu, pela primeira vez, a visita de um padre.

Foi o Cônego Miguel Arcanjo Torres, vigário de Paracatu, que na ocasião, batizou Zacarias, filho de Antônio Valeriano e Mariana Eufrásia. Dessa época em diante, iniciaram-se os trabalhos para a construção da capela definitiva.

Aos 03 de maio de 1881, foi realizada, oficialmente, a 1ª Festa em louvor a Nossa Senhora da Lapa, já na capelinha recém-construída por José Ferreira da Silva e já com a presença de sacerdote e de romeiros.

A devoção a Nossa Senhora da Lapa foi tomando grandes proporções. Pessoas das mais diversas regiões do país visitam o Santuário, por ocasião da Festa da padroeira Nossa Senhora da Lapa.

Assim, temos uma das versões que a tradição popular registrou sobre a visão de Nossa Senhora da Lapa. Maria, mais uma vez, mostra a sua simplicidade e a obediência aos desígnios de Deus. Ela, que soube dizer SIM ao Anjo Gabriel e aceitar a nobre missão de ser a Mãe do Salvador. A mesma menina moça, que deu a luz ao Menino Deus numa simples gruta em Belém, que aceitou com resignação o pior de todos os sofrimentos ao ver seu único Filho sendo crucificado e morto na cruz. Ela que acreditou na Ressurreição, que viveu o Evangelho, que passou pela Assunção aos Céus e que escolheu o silêncio e a simplicidade de uma gruta de Vazante para manifestar-se como a medianeira de todas as graças, como a Senhora da Luz, aquela que veio trazer a promessa de paz. Aquela que veio habitar no interior do Brasil, em pleno sertão mineiro e que hoje reúne milhares de fiéis numa devoção de puro amor.

Viva Nossa Senhora da Lapa!

Jeancarlo Rabelo Guimarães Rodovalho
Bacharel em Direito
Professor de História, Filosofia e Sociologia no
Centro Educacional Sebastiana Alves (CESA)

Na Igreja praticamos três modalidades de culto: a dulia (= honra, culto aos anjos e santo), a hiperdulia (= acima da honra, sem caracterizar adoração, culto prestado à Virgem Maria) e a latria (= adoração, culto prestado exclusivamente a Deus). Portanto, não existe adoração a santos ou imagens, mas sim um culto de veneração; porque seus exemplos são dignos de serem seguidos por quem também deseja alcançar a santidade em Deus.

O lugar que Maria ocupa na Igreja, segundo o Concílio Vaticano II é, “depois de Cristo, o mais alto e o mais perto de nós” (LG, n. 54; Paulo VI, Marialis Cultus, 28). Ela é, por um lado, a “Mãe do Redentor”, associada ao mistério de Cristo; por outro lado, ela é a perfeita seguidora de seu Filho na fé, está no centro da Igreja, que está a caminho (cf. João Paulo II, Redemptoris Mater, 1).
A Virgem Maria é apresentada como modelo porque sua vida está marcada pela escuta da Palavra, pelo diálogo, pela oferta de sua vida e pela geração de Jesus. São Tomás de Aquino explica que a devoção que se tem aos santos não termina neles, mas que em última instância se dirige a Deus, enquanto que em seus santos veneramos na realidade a Deus que os encheu de graça e santidade.

A Exortação Apostólica Marialis Cultus afirma no nº15 que “o culto que a Igreja universal tributa hoje à Santíssima Virgem é derivação, prolongamento e acréscimo incessante daquele mesmo culto que a Igreja de todos os tempos lhe rendeu, com escrupuloso estudo da verdade e com uma sempre vigilante nobreza de formas”.

A Igreja sempre foi muito cautelosa em relação às visões e aparições de Nossa Senhora, pois sabe que a plenitude da revelação das verdades da fé se deu em Jesus Cristo e se encerrou com a geração dos Apóstolos. Nenhum artigo de fé pode ser acrescentado ao Credo. Todavia a Igreja admite a possibilidade de revelações particulares do Sagrado Coração de Jesus, da Virgem Maria ou de outros Santos; tais aparições têm por objetivo lembrar aos homens a mensagem do Evangelho, principalmente o dever de orar e converter-se.

A visão de Nossa Senhora em Vazante-MG no início foi vista com cautela pelas autoridades eclesiásticas. Porém com o passar dos anos a devoção à Nossa Senhora da Lapa em Vazante mostrou, através dos frutos, ser digna de fé. Prova disso é que Dom Frei Eliseu Van de Weijer O. Carm, aos 20 de fevereiro de 1956 criou verbalmente a Paróquia Nossa Senhora da Lapa. Dom Frei Raimundo Lui O. Carm., oficializou a criação da Paróquia através de Decreto em aos 25 de janeiro de 1963. E em 03 de maio de 2006, Dom Leonardo de Miranda Pereira instalou o Santuário Diocesano de Nossa Senhora da Lapa.

Na visão de Nossa Senhora em Vazante, Maria se mostrou como a mulher do silêncio apresentada pelos Evangelhos. Não disse nenhuma palavra, simplesmente mostrou que, como mãe, ali está para interceder pelas necessidades de seus filhos. O culto a ela em Vazante cresceu e amadureceu ao longo dos anos. O testemunho dos devotos que caminham por vários dias e ainda descem, ajoelhados, a escadaria da gruta para agradecer fortalece a nossa fé. E as inúmeras fotografias e objetos deixados na “Sala dos Milagres” como agradecimento pela intercessão de Nossa Senhora da Lapa que resultou numa graça alcançada são provas da intercessão contínua de Maria.

O Hino de Nossa Senhora da Lapa é uma composição de Otávia Rosa. É um hino de letra simples e com um significado muito especial para os devotos da padroeira de Vazante. Ele é cantado com muita devoção pelos fiéis, principalmente durante as festividades.

Nossa Senhora da Lapa
Um dia apareceu
Veio trazer paz e amor
A todos filhos seus.

REFRÃO

Nesse dia de gala
Cantemos com alegria
À nossa Mãe tão querida
Ave, ave, ave Maria.

O seu olhar é sublime
É leme que nos conduz
Pelos caminhos da vida
Oh! Mãe de meu Jesus

Venham todos louvar
O santo nome seu
Dai-nos a vossa bênção
Oh! Doce Mãe, adeus!

Um pouco sobre Dona Otávia…

Otávia Rosa de Oliveira nasceu aos 27/12/1922, na Fazenda Claro, município de Vazante-MG. Filha primogênita de Virgílio Cláudio de Oliveira e de Maria Bela de São José.

Casou-se com Adolfo Calazans da Silva e, desta união, tiveram dois filhos: Eustáquio e Tereza. Adolfo era cardíaco e em pouco mais de dois anos de matrimônio ele faleceu.

Otávia casou-se pela segunda vez, em 1951, com Joaquim Alves Ferreira (Joaquim Barroso) e desta união foram concebidos ao casal os filhos: Maria das Graças, Paulo Antônio, Ana Lúcia e Virgílio Cláudio.

A Festa de Nossa Senhora da Lapa já tendo tomado grandes proporções, não possuía ainda um Hino em louvor à padroeira. Em meados da década de 1980, o bispo Dom Raimundo, durante uma Missa campal da “Festa da Lapa”, fez um convite aberto a todos os presentes, para alguém se prontificar a compor o hino.

Otávia estava lá e como seguidora fiel do catolicismo não resistiu em se aventurar a escrever. Não foi muito tempo e ela entregou a letra do hino para as irmãs de uma ordem religiosa que nesta época se encontrava em Vazante. Estas ficaram encantadas! Frei Reinaldo, o pároco em exercício, guardou em sigilo o hino por aproximadamente um ano até o mesmo passar pela aprovação do Bispo. Dada a ordem superior, a composição foi encaminhada para a cidade de Patos de Minas para ser musicada.

A gravação foi realizada na própria “Fazenda Recanto” por Otávia, seus filhos Eustáquio e Virgílio e a Sra. Maria das Graças Corrêa. Otávia ficou emocionada ao ouvir a primeira execução do hino, mesmo tendo sentido com pesar a ausência de uma estrofe, pois a máquina de escrever da paróquia havia quebrado e a mesma não foi datilografada, assim a composição ficou incompleta. A última estrofe do Hino era a seguinte:

“Nossa Senhora da Lapa,
Nossa Mãe da guia,
Proteja toda gente
De sua romaria”

O hino foi cantado pela primeira vez em 03 de maio de 1988. Neste dia a Igreja estava repleta de fiéis e durante a Procissão a multidão entoava a letra abanando lenços brancos. Foi um momento lindo! Inesquecível e que ainda soa com saudade na memória de quem presenciou esse dia.

Neste mesmo período Otávia enfrenta um grande obstáculo em sua vida. Seu esposo, “Joaquim Barroso” faleceu poucos dias depois, em 26 de maio.

Diversas poesias, essencialmente referentes às belezas naturais de nossa terra, e principalmente a letra musical “Doce Saudade”, consagraram Otávia como uma poetiza clássica de Vazante. Com toda humildade e simplicidade, quando era chamada de poetiza, dizia sentir arrepios no corpo e palpitação no coração.
Otávia faleceu aos 1° de setembro de 2004 com 81 anos de idade. E até hoje é lembrada com saudades por todos os que tiveram a felicidade de desfrutar de sua convivência

À saudosa Dona Otávia, uma singela homenagem de todos os devotos de Nossa Senhora da Lapa.

(Texto adaptado por Jeancarlo Rabelo Guimarães Rodovalho, dados biográficos extraídos do livro: “Vazante, de canto a canto poética”, de autoria de Júnior César da Silva, publicado em julho de 2004)

Nossa Senhora da Lapa, Mãe de todos os caminhantes, envolve seu manto santo nesses humildes romeiros da Igreja do Senhor.

Seja generosa para conosco e faça resplandecer entre nós a fé, a esperança e a caridade, para que possamos vencer os pecados e sermos santos como Deus é santo.

Mãe Santíssima, proteja todas as famílias e de modo especial a minha família, conservando o amor fraterno em nossos corações e revelando a verdadeira imagem de seu Filho Jesus Cristo em nossas ações.

Faça de nossas casas, verdadeiros lares cristãos como o da Família de Nazaré. Sob a luz do Espírito Santo, com suas mãos maternais, conduza os peregrinos desta santa romaria às alegrias celestes, onde reina a paz. Amém!

Com aprovação eclesiástica
Dom Jorge Alves Bezerra, SSS
Bispo Diocesano de Paracatu